sábado, 10 de setembro de 2016

Ressacados mas não vencidos

 

Portugal começou a campanha de qualificação para o campeonato do mundo de 2018 (desculpem-me as minúsculas, mas neste caso particular terá de ser assim, não vou muito à bola com a Rússia) Portugal perdeu na Suiça por 2-0, naquele que foi o primeiro jogo oficial pós-Euro 2016.

Ao assistir à entrada das equipas, e consequente cerimónia dos respectivos hinos nacionais, reparei na insignia no centro da camisola que indicava o título europeu conquistado em França, algo de inédito no nosso país e que, por breves momentos, me transportou novamente para a gloriosa noite em Saint-Denis.


A verdade é que, infelizmente, não demorou muito até voltarmos à terra e bater com estrondo na realidade. À meia-hora de jogo, estávamos a perder por 2-0 com a Suiça, equipa que, apesar de não ser uma superpotência do futebol mundial, apresenta uma geração de jogadores de enorme qualidade.

Errou Fernando Santos ao tentar "manter vivo o sonho", procurando continuidade relativamente à conquista do campeonato da Europa; sinal disso mesmo foi a inclusão de Éder no onze inicial, o herói de Paris. E a verdade é essa mesma, foi o herói...de Paris, aqui estávamos em Basileia e tinhamos de começar do zero, como se nada se tivesse passado durante os meses de Junho e Julho deste ano.

Éder é neste caso um exemplo, e não o bode espiatório das nossas desilusões lusas, um hábito com muitos "monges" (eu incluída), antes de ter entrado em campo no Stade de France para marcar o golo da sua vida.


Portugal ganhou em Julho o seu primeiro grande título no futebol internacional; na Suiça, a nossa equipa demonstrou que ainda se está a habituar a este estatuto, não sabendo muito bem que postura adoptar perante adversários agora já de sobreaviso perante o estilo de jogo particular da equipa das quinas.

Não éramos os melhores há dois meses atrás, capazes de ganhar a este mundo e o outro, nem somos a "velha" selecção nacional, habituada a constantes amargos de boca, sempre de calculadora na mão. Esta derrota não tem nada de alarmante; Fernando Santos saberá certamente encontrar o "Guronsan" necessário para que a ressaca da festa cure rapidamente.


Quanto aos outros que, de há dois meses para cá, atacam a nossa equipa com verboreias acerca do imerecimento da conquista do título europeu, ou da sorte, ou do "anti-jogo", não se vanglorizem já. Afinal de contas Portugal é campeão da Europa, e vai demonstrá-lo!

Mafalda Rodrigues