domingo, 29 de janeiro de 2017

Leve, levezinho


Actualmente tenho aproveitado os Domingos para falar de antigos jogadores do Sporting, a semana passada foi a vez de falar de dois em um. Slimani e João Mário, também já falei do Capel e quando estava a decidir sobre qual devia falar a seguir foi automático, "Como assim tu ainda não falaste do levezinho Mariana ?". 

Se for enumerar todos os jogadores que me marcaram no Sporting, o Liedson era, e será sempre, o segundo da lista, atrás do Jardel claro. Em 313 jogos este homem da fotografia acima fez 172 golos.... calma, eu vou repetir... Cento e setenta e dois golos. 

Ele era pequenino, ele era magrinho, ele fazia a vida num inferno a todas as defesas e a rapidez que lhe foi tão característica ao longo dos tempos era a mesma com que ele ia fazendo os golos. 

Ele foi feliz em Alvalade e todos nós éramos também por vê-lo jogar com um amor à camisola que só os que sentem de igual forma percebem. Eu só do tempo em que na escola dizíamos que Só Liedson Basta para picar o pessoal do Benfica. 

Eu sou do tempo em que os rapazes que jogavam à bola comemoraram com um "SHHHHHHHHH" ou com um coração como ele fazia em cada golo que marcava. Eu estava lá na bancada para festejar grande parte dos golos que ele fazia, e estive lá no momento mais triste. Aquele em que ele falou ao Estádio pelo microfone do Botas e em que todos chorámos como pensámos que não seria possível. Nós marcamos a vida dele e ele também marcou a nossa. 

Não vou aqui pôr paninhos quentes e não vou dizer que não foi um soco no estômago quando vi "Liedson no FC Porto " nas notícias, mas pior fiquei quando ele disse "Sempre quis jogar aqui, num clube tão grande quanto o FC Porto!". 

Fiquei doente, não podia acreditar que o Liedson nos tinha "traído" daquela maneira, é que nem era o facto de ele para o Porto, foi pelo que ele disse quando chegou. Na mesma altura da chegada dele eu acabei por dizer que ele se ia arrepender de ter ido para a Invicta e que família é sempre família, mesmo que tu queiras outra, saberás, mais cedo ou mais tarde, que não é ali que pertences. E o que é que aconteceu ? 


A bem ou a mal eu tenho sempre razão nestas situações e independentemente de tudo a verdade é que o Liedson continua, até aos dias de hoje, a ser associado ao clube, porque ninguém o esquece, como eu espero que ele não se tenha esquecido de nós. 




Mariana Cordeiro Ferreira