quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

De bestial a besta!



O futebol tem, realmente, o dom de fascinar os adeptos, de colar um apoiante de uma equipa ao televisor, de o fazer correr km's para estar no estádio no momento do apito inicial. O futebol tem de tudo, coisas boas e más, coisas simples e complexas. Se para um adepto uma derrota é difícil de engolir, mais difícil, ainda, é para um jogador quando é culpabilizado por milhões.
Hoje, mais uma vez, o FC Porto é a minha fonte, inesgotável, de inspiração. Às vezes as razões são boas, mas hoje, o discurso será outro.

O jogo de ontem, no estádio do Dragão, a contar para os oitavos de final da champions entre o FC Porto e a Juventus, teve de tudo, emoção nas bancadas, nervos no banco de suplentes, momentos irrefletidos no campo e golos... a bola a fuzilar a baliza, a maior magia que há.

Notória tem sido a evolução da equipa a azul branca em comparação com a época anterior, mais que não seja pela segurança que o bloco recuado tem dado à equipa. Desde os centrais Marcano e Felipe, até aos laterais Maxi e Telles (jogadores mais vezes titulares no setor defensivo). Se em alguns jogos quem brilha é este quarteto, tanto a defender como a ir à frente marcar ou assistir... ontem foi diferente. Ontem o 13 foi mesmo de azar... atendendo ás circunstâncias do jogo é aceitável que os nervos estejam á flor da pele, mas a experiência, o tempo, a sensatez tem de falar mais alto. Se até ontem Alex Telles era considerado o melhor lateral esquerdo dos últimos tempos, depois da expulsão já todos recordam, saudosos, Alex Sandro. 

Foram dois minutos, dois minutos, bastaram dois minutos... E assim passou de bestial a besta. Para passar de jogador com mais assistências, para jogador com o comportamento mais irrefletido. Foi e é inqualificável um jogador perder a cabeça desta forma... se com 11 jogadores o jogo já era de elevada dificuldade, com 10 ficou praticamente impossível. Se bem que não há impossíveis no futebol no entanto, ontem, o Dragão que é a fortaleza dos azuis e brancos, silenciou-se também em dois minutos. 

É sarcástico imaginar que bastaram quatro minutos para o jogo ficar decidido com dois momentos chave... Os dois minutos que levaram de uma falta à outra e a posterior expulsão do camisola 13 dos dragões... assim como os dois minutos entre o primeiro e o segundo golo da vecchia signora.
Se a eliminatória está fechada? Não creio, o futebol é mágico. Mas se o Alex Telles será sempre recordado pela imprudência que cometeu? Não tenho qualquer dúvida.

De bestial a besta, o brasileiro que tanto tem contribuído para este clube, deixou os colegas com o peso de não fracassar, André Silva foi um dos sacrificados, sendo substituído depois da expulsão do colega. A vida da muitas voltas, o futebol também... Mas certamente não será neste eliminatória que Telles se irá redimir, porque o vermelho o impede de viajar até Itália.

Hoje estás lá no alto, amanhã podes estar no chão... mas como escreveu no instagram  "baixar a cabeça só para beijar o símbolo que carregam ao peito"!   




Filipa Mesquita