quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

O sonho não pode parar!

Paris, 10 de julho de 2016.





Numa altura em que Portugal começou a viver o futebol da pior maneira possível - com corrupções, confusões e pessoas mal formadas - é na seleção que permanece a beleza desta modalidade. É a única altura em que os amigos, os familiares, até os desconhecidos, se sentam à mesma mesa. Altura em que se abraçam, que festejam, que são felizes juntos, ali, por uma única equipa, sem rivalidades.

Recordo, com nostalgia, a final de Paris. Portugal já estava derrotado antes mesmo de jogar, o que significa que a vitória teve um sabor ainda mais especial. 
Entramos em campo e a atmosfera era inacreditável, estávamos a jogar em casa. Suou o apito inicial e com ele chegou o medo - sabíamos tão bem o sabor da derrota, mas ansiávamos tanto pelo sabor da vitória - qualquer bola perto do Rui Patrício era um pequeno ataque cardíaco. Tínhamos chegado aquela final com tanta sorte - a tal que protege os audazes - e tivemos tanto azar logo no inicio do jogo. Todos os jogadores são fundamentais, mas (caramba!!!) tínhamos o melhor do mundo em campo e de repente... estava lesionado. Até esse azar contribuiu para a magia da vitória, há quem diga que até aquela traça estava predestinada. 
No momento em que Ronaldo saiu, Portugal não perdeu um jogador, ganhou milhões deles. Eram todos por um, todos por aquela taça, todos juntos a tentar calar os críticos, os franceses e os que acham que o futebol é só uma questão de vida ou de morte.... quando é tão mais do que isso.

Tivemos de aguentar 90 minutos, mais o prolongamento, tivemos de ver o Patrício voar, o poste a ajudar e o Quaresma apertar o pescoço a Koscielny... 

Chamado a entrar em campo, Éder, era um dos jogadores menos acarinhados na seleção, faltava-lhe técnica, rapidez e, acima de tudo, capacidade de finalização. Mas o Éder tinha uma coisa... a crença! Crença essa passada pelo melhor jogador do mundo, que no banco se tornou no segundo treinador.
Foi mágico, de besta passou a bestial. Com uma raça nunca vista, o Éder entrou em campo, mexeu com o jogo e de longe... muito longe... chutou com tanta força, tanta crença aquela bola. A bola que nos daria a conquista mais importante do país. É o nome dele que fica na história.

Sofremos, sofremos muito, mas fomos compensados na mesma medida. E "é feriado c*ralho"!

Somos campeões da Europa, e este ano é ano de Mundial... o sonho não pode parar. O segredo está na união, é essa que faz a força.