sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Que se enalteça quem merece!





O futebol e as suas particularidades...
O futebol visto do lado de fora, com a mesma emoção de quem vive dentro das quatro linhas. Um duelo, duas equipas, um coração verde, outro azul. Foi este o mote do clássico da passada quarta-feira, que trouxe ao de cima o amor à camisola - aquele que nunca devia faltar. E num jogo de tão grande índole, ser decido através das grandes penalidades, torna tudo um pouquinho aquém das expectativas dos fervorosos adeptos que foram incansáveis no apoio.

Duas equipas com ideais muito idênticos, com objetivos definidos e com a ambição de fazer mais, conquistar mais, voltar a escrever o seu nome nas conquistas em Portugal. 
Apesar de toda a cobertura da comunicação social, talvez até tenha sido demais se compararmos com o outro jogo da Final Four - Oliveirense vs Vitória de Setúbal - houve uma coisa que me custa a compreender... Que o Rui Patrício é um guarda-redes fenomenal é inegável, mas dar-lhe tanto destaque em comparação ao Iker Casillas torna-se inquietante. Não acho justo dois gigantes serem comparados, acho, isso sim, sensato enaltecer-lhes o seu valor.
Mas afinal o quê que o português fez mais do que o espanhol? Estarei equivocada ou defenderam ambos duas grandes penalidades?

Numa altura em que o Casillas atravessa uma fase menos positiva, acho, por bem, valorizar as boas intervenções dele. As defesas que faz, a forma segura como se coloca perante os postes e a convicção com que se atira a cada lance como se fosse o último, é inegável.
Ter sido preterido em detrimento de José Sá foi um duro golpe para aquele que, em tempos, foi considerado o melhor do mundo. Ter estado nos grandes palcos, com as grandes estrelas e agora estar sentado num banco é, certamente, duro. Mas é de valorizar a atitude de Casillas... Treina afincadamente, alinha em cada partida que é chamado com a força de um dragão e não deixa transparecer o que o inquieta.

Se o Rui Patrício, esteve gigante na baliza leonina, não menos gigante esteve o Iker na baliza azul e branca. São dois enormes guarda-redes, daqueles que daqui a muitos anos ainda se vai ouvir falar, por isso, em vez de comparar, tentem, por favor, enaltecer o valor que eles têm.

A rivalidade é criada por quem vê o futebol, não por quem o pratica. Que se enalteça quem merece.