segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Uma decisão precoce




Hoje no blog venho escrever-vos acerca de um assunto que me deixa um bocadinho triste. Atualmente, vivemos numa era em que os jogadores facilmente se iludem com um contrato milionário, sobrepondo-o ao que devia ser mais importante, o melhor para a sua carreira desportiva. Iludem-se por um projeto maior ou uma liga mais apetecível, dando muitas vezes um passo maior que a perna, e sendo muitas vezes mal aconselhados pelos seus empresários.

Como todos sabem esta semana, Rúben Semedo, ex-jogador do Sporting, foi preso preventivamente por agressão, roubo e posse ilegal de armas. Transferido no passado verão para o Villarreal, cedo o internacional português se viu rodeado de problemas.

Na formação do Sporting desde 2009, o percurso do jovem natural da Amadora nem sempre foi consensual. Uma das polémicas mais conhecidas pelo público, foi um episódio em que ele admitiu numa entrevista que torcia pelo Benfica, e que a sua estadia no Sporting era a curto prazo. Para além disto, eram conhecidas algumas das suas saídas sem autorização e de alguns problemas com a justiça.

Porém, nos últimos anos Semedo parecia ser um jogador diferente, com mais cabeça e mais ponderação. Depois de alguns empréstimos, chegou à equipa principal do Sporting e atingiu um patamar alto no futebol português. Visto como um central de futuro, esteve no verão ao serviço da seleção de sub-21, no Europeu realizado na Polónia.

No entanto, a sua estadia em Valência tem sido bastante conturbada. Depois de se ver envolvido em agressões e posse ilegal de armas, o jovem jogador português está agora preso e a aguardar julgamento após ter alegadamente agredido e sequestrado uma pessoa. Viu o seu contrato com o Villareal ser suspendido, e tem agora a carreira em suspenso, pois o que se vai passar daqui para a frente ninguém consegue prever. 

Apesar do caso de Rúben Semedo ser de uma índole diferente, há outros jogadores que viram a sua carreira estagnar por quererem sair precocemente dos clubes que os formam. Quem não se lembra da birra que o Tiago Llori fez para sair para o Liverpool? Clube onde nunca foi verdadeiramente uma opção, sendo sucessivamente emprestado e estando agora a lutar pela permanência na segunda liga inglesa, ao serviço do Reading. 

Infelizmente, casos como estes é algo que vemos acontecer com alguma frequência. No futebol português temos exemplos do Renato Sanches, do André Silva ou do João Mário, jogadores que brilharam no futebol português ao serviço dos seus clubes, mas que na hora de saírem não tomaram as melhores opções. Iludiram-se por ver um emblema de renome interessado em si e estão agora em situações complicadas nas suas carreiras pois não tiveram espaço para continuar a crescer, e como tal não corresponderam às expetativas. Contudo, estes exemplos não se remetem só ao futebol português, mas um mal que rodeia o futebol mundial

Cristiana Ribeiro Pina