quarta-feira, 7 de março de 2018

O homem que lê, merece ser lido!



Para muitos ainda é um desconhecido, mas para quem vê e aprecia a magia que é o futebol conhece (e reconhece!) o Francisco Geraldes.
Muitos sabem dele por ser jogador do Rio Ave, emprestado pelo Sporting, mas outros, como eu, fixaram este jogador desde o banco de suplentes leonino, na pré época.

Felizmente já tive a experiência de entrevistar alguns jogadores de futebol, mas há coisas que até pela televisão, nas entrevistas, ficam e são visíveis. É natural que alguns jogadores, não generalizando, não consigam, nem saibam expressar-se da melhor maneira. Ainda assim este aspeto é o que menos importa, importa sim que joguem à bola. Mas temos de ser realistas. Um jogador que saiba falar, que saiba expressar em palavras a magia por detrás de uma bola, consegue distinguir-se dos restantes.

Foi isto que o Geraldes conseguiu a partir do momento que, sentado, lia José Saramago. E logo, José Saramago. Não é qualquer pessoa que consegue ler o que este escritor escreve. Mas o mais surpreendente ainda foi o facto de, ao seu lado, estar um jogador que mexia no telemóvel. É apenas uma curiosidade, aliada a tantas outras. Mas ser diferente é bom.  

Naquele instante pensei: a sociedade é isto. As tecnologias dominam e aqueles que saibam apreciar as coisas boas da vida - como ler um livro - é, por si só, especial. Foi isso que me fez seguir seriamente este jogador, antes mesmo de saber que por detrás da capa de intelectual estava um mágico que se tornou numa das referencias do Rio Ave.

Sem que tivesse lugar no plantel leonino, foi para Vila do Conde. Agora constato que foi a melhor decisão para o futuro do jogador. Estar no Sporting nesta fase seria literalmente atira-lo aos leões e nada melhor que habituar-se à primeira liga num clube de outra dimensão. Não desprezando, pelo contrário.

O Francisco Geraldes tornou-se num dos jogadores mais influentes dos vilacondenses. Tem sido titular, já marcou 3 golos e já fez 7 assistências. E o melhor disto tudo? Tem 22 anos e tanto para crescer ainda! Quem sabe se, no futuro, não será um dos jogadores da seleção. Quem sabe se não será um médio influente num outro clube? Tem tudo para voar e pode, realmente sonhar. 

A ler ou a jogar, já marcou pela diferença. E o futebol vai tão mais além das quatro linhas...


Filipa Mesquita