quarta-feira, 18 de abril de 2018

Não podia pedir mais


Este campeonato tem sido impróprio para cardíacos, começo achar até que não vou conseguir aguentar estas últimas quatro jornadas. Faz cinco anos em maio que não sei o que é festejar um campeonato. Cinco. Parece e é uma eternidade. Mas durante este período, ao contrário do espectável, o meu amor pelo meu clube só aumentou. Mas aumentou de forma exponencial. Acho que é nas derrotas que depositamos todo o nosso amor e é o que tem acontecido. Mas confesso que a ideia de voltar a festejar está a ser inquietante. Ainda não ganhamos nada, mas há uma esperança em mim, há algo que me diz que está perto. Pertinho. Que é possível. 

No passado domingo foi dia de clássico. Não sei explicar, mas desde sempre que disse isto: "O Porto não ganha, mas também não perde". Havia alguma coisa que me mantinha esperançosa, mesmo depois de duas derrotas fora.
O ambiente de um clássico é indescritível. Os adeptos, a atmosfera, a emoção, os nervos... Incomparável. E um Benfica X FC Porto, nesta altura da época, é ainda mais emocionante.
O FC Porto esteve praticamente sempre no comando da liga e duas jornadas antes da deslocação à Luz, perde a liderança. É frustrante. É um sentimento de impotência e de injustiça. Eu sabia que vencendo o clássico, ainda não estava nada ganho, mas perdendo, estava tudo perdido.

Suou o apito e com ele os nervos... Uma primeira parte em que os encarnados foram superiores, deixou-me apreensiva. Não estava à espera de uma entrada tão em falso como a que aconteceu. Comecei acreditar menos. O Benfica estava melhor e podia perfeitamente ter marcado.
Mas, há lá coisas inexplicáveis. Começou a segunda parte e o FC Porto transformou-se. Entrou com vontade de vencer, vontade de ir mais longe do que um empate. Já o Benfica quis apenas segurar o ponto que o deixava líder. É compreensível. Mas não deixa de ser ingénuo. O Rui Vitória mexeu na equipa, mas mexeu muito mal. Do outro lado, o Conceição foi muito mais inteligente, soube mexer na equipa e melhorá-la de forma exponencial.
Foi no banco de Suplentes que teve o truque e foi na fé que esteve a vitória.

O Herrera, de forma genial, ganhou uma bola que parecia perdida e com toda a vontade de ser campeão decidiu o jogo com uma bomba.

Queixaram-se de arbitragens, de pouco tempo de compensação, mas esqueceram-se que os maiores culpados foram eles. Ganhou a equipa que mais quis, que mais fez por isso e aquela que está "ansiosa por vencer". 
Faltam quatro jogos, não está nada ganho, mas esta vitória soube a mel. É nos jogos grandes que se vê a grandeza de um clube e, sinceramente, tanto um como o outro souberam proporcionar um bom espetáculo de futebol. 



Filipa Mesquita