quarta-feira, 27 de junho de 2018

O "puto lelilto" e a trivela teleguiada



Como tem vindo a ser hábito, os jogos da seleção portuguesa têm sido impróprios para cardíacos e o embate com o Irão não fugiu a esta regra.

Começámos bem ainda antes do pontapé de saída, com Fernando Santos a efetuar três alterações no onze inicial, que se revelaram essenciais no modo de jogar da equipa. Primeiro, a presença de Adrien foi importante, face a um Moutinho a recuperar de gripe, pois conferiu ao meio-campo uma ocupação maior do espaço, deixando as competências organizativas e defensivas para William e permitindo ao João Mário descair para a direita, para compensar a lateral, dado que Cédric não sobe tanto como sobe o Raphael do lado esquerdo. Depois, era imperativo meter André Silva a jogar perto de Cristiano Ronaldo, dando finalmente à seleção um ponta de lança e um ataque forte e organizado. Guedes, por muito bom jogador que seja, tem estado a jogar fora da sua posição de origem, o que tem prejudicado o seu rendimento. Por fim, e apesar de me custar imenso ver Bernardo Silva no banco, a inclusão de Ricardo Quaresma foi a peça chave para o jogo português, visto que o Bernardo não está a 100%.

Meter o Quaresma na direita foi bem pensado por parte do míster, pois criou-se a oportunidade perfeita para os cruzamentos de trivela entre os quais surgiu o golo mais bonito do Mundial (até ao momento). Os campeonatos do mundo têm sido ingratos para o português que, aos 34 anos, joga o seu primeiro e na sua estreia mostra ao mundo que devia de ter sido chamado mais cedo. É um jogador que aparece nos momentos decisivos e consegue ter o sangue frio de executar na perfeição o que é esperado. Dado o seu caráter impulsivo, não é um jogador para alinhar os 90 minutos mas é a peça perfeita para os momentos cruciais da partida.

Devíamos de reconsiderar a designação do pontapé de trivela para pontapé "Quaresma", visto que aprimorou a arte e que faz um uso tão benéfico da mesma. O puto está no Mundial e está para impressionar.

Como li hoje por aí, Queiroz deixou Quaresma de fora em 2010 e em 2018, Ricardo deixa Carlos Queiroz de fora do Mundial. E que bem que me soube!

Que venha o Uruguai agora. Desafio difícil mas possível. Bora!

Beatriz Manaia 
Página Oficial do Futebol no Feminino