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segunda-feira, 15 de abril de 2019

Bruno, este é para ti


Esta semana o blog está por minha conta e não poderia nunca, deixar passar o momento de ter 3 textos por minha conta e não escrever para aquele que é o meu Capitão, o meu médio de sonho e o médio mais goleador da Europa. Este texto hoje é escrito como se tu pudesses ler Bruno Fernandes e espero, sinceramente, que se isso acontecer, gostes do que vais ler por aqui. 

Um obrigada para ti já não chega. Não é suficiente e não faz juz ao que tu tens feito em campo esta temporada. A palavra para ti ainda terá de ser inventada. 
Depois daquilo que aconteceu na Academia e do teu pedido de rescisão, ainda que tenhas voltado atrás na decisão, (e ainda bem que o fizeste!) gerou constestação. Não te estou a dar novidade nenhuma quando digo que muitos dos sportinguistas que assistiram a tudo isto te chamaram de Rato, Vendido, alguns, ainda continuam a fazê-lo, mas aos poucos e poucos tens conseguido calar tudo e todos. 
No meu caso em particular, e não te vou mentir, doeu-me ver os meus jogadores saórem, doeu sim e senti que muitos de vocês, que estiveram cá a temporada passada, abandonaram quem sempre esteve do vosso lado, mas não posso ser hipócrita ao ponto de dizer que se estivesse no vosso lugar teria feito diferente. Continua é a fazer-me muita confusão ver que muitos daqueles que hoje te chamam Rato, são os mesmos que defendem quem fez o que fez na Academia e que acham que "ainda levaram foi pouco". Chamaram-vos de mimados, vendidos, ratos, mas não se preocuparam em perceber o vosso lado. 
Ainda bem que tu e o Dost ficaram porque , como muitos disseram, esta seria a temporada do renascer do Leão e ainda bem que conseguimos contar com vocês, porque sem vocês , e principalmente sem ti, não sei em que lugar da tabela classificativa estaríamos ou  sequer se ainda estaríamos a tentar ganhar alguma coisa. 
Acho normal haver exigência de conquistas, afinal de contas somos o Sporting Clube de Portugal, mas também tem de haver consciência daquilo que aconteceu e o que levou a que chegassemos a este ponto, mas avançando e falando de coisas mais alegres. 
Bruno, tu tens a consciência que neste momento és o pilar principal do futebol verde e branco não tens ? Tu tens a noção que é graças ao teu esforço e ao teu trabalho, em conjunto com todos os outros jogadores, que podemos dizer que mesmo estando numa fase muito má temos um terceiro lugar merecido ? Tu tens a percepção que eu e muitos estamos com medo do mercado porque sabemos que é bem provável que tenham dinheiro mais do que suficiente para te vir buscar ? 
É certo, tu não enches capas de jornais como o João Félix, mas também não precisas. O teu trabalho pode ser visto em campo todas as semanas e ao longo de 90 minutos consecutivos. 
E os golões Bruno ? Onde é que tu aprendeste a marcar assim ? Eu acompanhei parte da tua carreira em Itália, mas calma. Tu tens de ensinar a arte de rematar forte, e colocado, a alguns pontas de lança e avançados desta vida, porque acredita, é de babar! E isso é uma arte. 
Para terminar, e porque o texto já vai longo, não vou agradecer ao Cintra, ao Varandas ou ao Bruno de Carvalho por te ter ido buscar. Vou agradecer-te a ti. Por mostrares o que é jogar com garra, com amor à camisola, jogar esforçado, cansado, lesionado, levar uma equipa inteira às costas e mesmo assim nunca desistir. Dia 25 de Maio, voltamos ao Jamor e desta vez vão existir lágrimas sim, mas de alegria. Porque aquela taça é nossa e nós vamos fazer a dobradinha e calar tudo e todos, muito graças a ti. Obrigada, mil vezes obrigada por estares connosco e por mostrares todos os dias que pode não se nascer Leão, mas uma vez Sporting , Sporting para a vida inteira. 


Mariana Cordeiro Ferreira 

segunda-feira, 8 de abril de 2019

O ponto de situação


Já não escrevia por aqui há tanto tempo que nem sei muito bem por onde começar. Primeiro pensei que poderia ser uma boa ideia falar sobre a Champions, está aí à porta e são muito bons os jogos que nos vão colar ao ecrãn do primeiro ao último minuto. 

Depois lembrei-me de falar da Liga Europa, mas de equipas portuguesas só lá está o Benfica, que, na minha modesta opinão, não vai durar muito mais tempo. Mas acabei por decidir pegar no Campeonato e nas Taças para falar do ponto de situação do meu clube do coração.
Está quase a fazer um ano que um dos dias mais negros da história deste clube aconteceu. Ainda é dificil para mim definir o que senti naquele dia, tentar expressar aquilo que as lágrimas que caíam queriam gritar. Mais raiva me dá ainda ver que muitos sportinguistas ainda são apologistas do "Deviam ter levado era mais" .
Vamos perceber de uma vez por todas que aquilo que aconteceu é intolerável a todos os niveis, e quem tem a opinião de que aquilo que aconteceu é normal pode sentir-se convidado a sair, quer deste texto, quer do blog. Lamento, mas para quem é besta, eu sou besta e meia. E não me venham também com a história de que foram os jogadores que provocaram na saída do jogo do Marítimo, que isso não serve de justificação para nada. 
Avançando.... Estava eu a dizer que está quase a fazer um ano, e se por um lado sinto que já passou muito tempo, por outro lado sinto que devo ficar orgulhosa de ter recuperado tão bem desse mesmo acontecimento. 
Actualmente o Sporting é Bi-Campeão de Inverno, está na Final da Taça de Portugal e tem, na teoria, o terceiro lugar do Campeonato mais do que seguro e conseguiu aos poucos recuperar a essência que tanto o caracteriza.
Ainda assim, ainda falta muito pra chegarmos onde temos de estar e como já tinha dito no Sporting 160, a "desculpa" da Academia neste momento já não faz sentido. Até porque tirando Bas Dost, Mathieu, Coates, Acuña e Bruno Fernandes (creio que são só estes porque honestamente não me recordo de mais nenhum ) todos os que lá estavam ou rescindiram, ou foram mandados embora pelo nosso querido conselho intermédio e estes meninos são os que nos tem ajudado mais até agora.
A Academia foi um acontecimento trágico sim, achámos que nunca íamos recuperar, mas a verdade é que se pensarmos bem, atingimos algo muito bom numa época que já era dada como perdida muito antes de ter começado. 
Estamos longe de estar perfeitos sim, ainda há muita coisa para fazer sim, e não fosse o Bruno Fernandes eu nem sei o que seria de nós. É importante percebermos que não estamos tão mal, como muitos ( alguns sportinguistas até! ) desejavam , mas temos de ter a noção de que já lá vai quase um ano e que a academia foi algo que nunca deve ser esquecido sim, mas que tem de nos dar força para podermos continuar a lutar e atingir o titulo que nos escapa há quase 18 anos. 
Mariana Cordeiro Ferreira 

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Sporting vs Benfica: que comece a festa da taça





O Sporting e o Benfica vão encontrar-se esta quarta-feira pela quarta vez nesta temporada. O jogo em causa é a segunda mão da meia final da Taça de Portugal, onde o Benfica está em vantagem após ter vencido por 2-1, na Luz.

Apesar da vantagem encarnada a eliminatória está em aberto, e a jogar em casa o Sporting tudo fará para marcar novamente presença na final. Bruno Fernandes é o jogador em quem os adeptos leoninos depositam todas as suas esperanças. Bas Dost continua lesionado e não vai a jogo. Uma ausência de peso, mesmo tendo em conta o mau momento do holandês.

 Ristovski é outra das prováveis ausências, já que o Conselho de Disciplina da Liga manteve decisão de aplicar um jogo de castigo ao macedónio.Uma decisão inacreditável e que descredibiliza ainda mais a arbitragem portuguesa. É opinião quase unimama que a expulsão foi exagerada: o jogador disputou o lance, tocou na bola e só depois no jogador do Desportivo de Chaves. O cartão amarelo era a decisão mais sensata. E ficou pior de perceber quando houve minutos depois uma entrada sobre Bruno Fernandes, que nem amarelo levou. 

Mas voltando ao que interessa, o derby. O Benfica tem uma ligeira superioridade, primeiro por ser o líder da Liga Nos e depois por estar em vantagem na eliminatória. Contudo acho que vai ser um jogo equilibrado, e onde ambas as equipas vão dar tudo para estar a final. Em termos de época, o jogo é mais decisivo para o Sporting, já que é a única competição que pode vencer.

Acima de tudo espero que seja um bom jogo de futebol, com grande fair play, e onde se possa ver um bocadinho daquilo que foi derby feminino do passado sábado. No final espero que a vitória caia para o lado do Sporting, e que a equipa possa ter a oportunidade de conquistar a taça que devia ter sido nossa o ano passado.

Cristiana Ribeiro Pina 

sexta-feira, 29 de março de 2019

Orfãos de Bruno Fernandes: E agora mister?




Há muito que se sabe que na equipa do Sporting é Bruno Fernandes e mais dez. O médio leonino é melhor jogador do plantel, e tem sido peça essencial na estratégia de Marcel Keizer. É o melhor marcador leonino com 24 golos, e o jogador mais utilizado com 3858 minutos. O capitão leonino é jogador mais da equipa do Sporting: é aquele “puxa” a equipa; é um verdadeiro líder dentro e fora de campo.

Ora por tudo isto, a noticia da lesão do jogador deixou Alvalade em pânico total. Bruno Fernandes apresentou um “problema muscular na coxa direita” na semana passada, e foi dispensado dos trabalhos da seleção. Uma noticia que deixou os adeptos leoninos preocupados dada a aproximação da meia final da Taça de Portugal, que se realiza na próxima quarta-feira.

Segundo as noticias que veem a publico a recuperação do jogador está a correr dentro do plano de recuperação, porém Bruno Fernandes é baixa quase certa para o jogo com o Desportivo de Chaves.  O foco está na recuperação a 100 por cento para o derby, naquele que será o jogo mais importante da época.

Porém, há boas noticias. O internacional português regressou esta quinta-feira aos treinos, e apesar de ainda ser de forma condicionada, o jogador já participou na habitual “peladinha” com o resto da equipa. Noticias animadoras, e que deixam os adeptos mais descansados.

Todavia, espero que esta lesão faça pensar os responsáveis do Sporting. Já que Bruno Fernandes foi utilizado até à exaustão, e na minha opinião parte desta lesão surge devido à má gestão da equipa, e à falta de rotação entre os vários jogadores do plantel.

Estando o Sporting orfão de Bruno Fernandes, gostava que se apostasse no Francisco Geraldes. Raramente utilizado desde que regressou, acho que esta era a oportunidade ideal para que ele pudesse demonstrar o seu futebol. A utilização de Miguel Luís é outros cenários que gostava de ver em prática, o jovem médio tem muito potencial, e já demonstrou o que é capaz de fazer. 

Cristiana Ribeiro Pina 


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Falta de recursos na formação? Falemos antes em falta de aposta



A Academia de Alcochete sempre foi conhecida em Portugal e no mundo pela sua capacidade de formar jovens talentos para o futebol e por ser a primeira casa de muitos dos astros mundiais do desporto rei. Luís Figo, Paulo Futre, Ricardo Quaresma e Cristiano Ronaldo são alguns dos exemplos mais significativos desta premissa. 

Atualmente, o carimbo de qualidade da Academia leonina parece ter perdido força e pouco se tem falado das jovens promessas sportinguistas. O plantel principal escasseia em portugueses e em jovens formados no clube, tal como a seleção nacional, que contou apenas com um leão na sua última convocatória. Em anos anteriores, o Sporting foi sempre o clube referência da equipa nacional, tanto em séniores como nas seleções mais jovens. Em 2010/2011, os leões cedeream 47 jogadores para as seleções jovens, contra 40 do Porto e 34 do Benfica. Contudo, oito anos depois, o Benfica detém os direitos de formação de 25 miúdos, face aos 21 do Sporting e 13 do Porto. Terá Alcochete perdido qualidade ou outros motivos estarão na génese do problema?

Ora, muito se passou nos últimos anos, mas nada influenciou o talento produzido nas escolas do Sporting. A qualidade está presente, existe esperança para o futuro, mas as más decisões administrativas encostam os diamantes dos escalões jovens às "boxes" para dar primazia a jogadores vindos de fora.  Depois do ataque de maio de 2018, o plantel ficou desfalcado, mas em vez de se preencherem essas lacunas com prata da casa, decidiu apostar-se em quem não se conhece. 

Comecemos pela baliza. Rui Patrício optou por abandonar o lugar que era seu há anos e, com um Luís Maximiano na equipa B, achou-se por bem contratar Renan Ribeiro, que tem tido uma performance muito além daquilo que era esperado. Brilhou nos pénaltis que deram a Taça da Liga ao clube, mas falhou em momentos chave que resultaram em algumas derrotas para o campeonato. 

Com um guarda-redes mediano, necessitava-se de um centro defensivo forte e assertivo. Coates e Mathieu desempenham bem as suas funções, mas os cartões amarelos insistem em acompanhar o primeiro e as lesões o segundo. Era imperativo ter substitutos à altura dos gigantes. Ora, face a isto, achou-se por bem emprestar Demiral (Sassuolo) e Domingos Duarte (Deportivo da Coruna) e integrar como opções da defesa André Pinto (valha-nos Deus!) e Tiago Illori. Este último foi formado em Alcochete, é um facto, mas afirmou, em 2015, que preferia não jogar futebol durante dois anos do que continuar a vestir a verde e branca. 

William Carvalho desertou para o Bétis de Sevilha, deixando um buraco gigante na posição 6 do campo. Battaglia lesionou-se no início da temporada e era urgente arranjar um trinco que transmitisse segurança à equipa. Os adeptos bem que chamaram por Daniel Bragança, mas ninguém os quis ouvir. O sérvio Gudelj custou  6,5 milhões e Daniel Bragança foi emprestado ao Farense. 

Para o acompanhar no meio campo, tínhamos nomes como Ryan Guald (emprestado ao Hiberian), Iuri Medeiros (emprestado ao Légia de Varsóvia) e Francisco Geraldes. Wendel é craque, mas as suas lacunas físicas são evidentes, tornando-o num jogador que não pode jogar duas vezes por semana. Precisa de rotação, precisa de alguém que o substitua quando o seu joelho fala de si. Tem falhas na construção, um dos pontos fortes de Chico Geraldes, que ainda não calçou desde que chegou da Alemanha. Tem falhas táticas que facilmente seriam preenchidas por Miguel Luís, que foi despromovido aos sub-23 sem que se percebesse o motivo.

Contratámos o Raphinha e o Diaby para percorrerem as alas, quando exista um Carlos Mané e um Matheus Pereira à espera de uma oportunidade. Jovane Cabral teve a sua, brilhou como poucos, deu vitórias ao clube, mas tudo isso apenas lhe garantiu um bilhete de regresso aos sub-23. Fomos buscar Luiz Phellype à segunda divisão com um Gelson Dala a querer jogar de leão ao peito.

Que nunca mais se diga que não já se formam jogadores em Alvalade como antigamente. Diga-se, em vez disso, que não lhes são dadas as oportunidades de outrora e que se prefere gastar o dinheiro que não existe no clube para contratar jogadores que não igualam os seus em qualidade. Não existe falta de recursos, existe falta de aposta.


Beatriz Manaia 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Adeus, Europa, adeus!



O empate em Villareal foi insuficiente para manter o Sporting nas competições europeias, ficando-se pelos objetivos de conquistar o campeonato (subir, pelo menos ao terceiro lugar) e vencer a Taça de Portugal. Não se pode dizer que o jogo em Espanha tenha sido mau, nomeadamente se o termo de comparação for a partida de Alvalade, mas a verdade é que todos os esforços se revelaram escassos para vencer a eliminatória face a um coletivo bastante acessível.

"Estamos habituados a que a história não esteja do nosso lado". Foi dito pelo capitão na conferência de imprensa que antecedeu o encontro. E é um facto. O futebol pode não ser o melhor, as opções podem não ser as corretas, mas a verdade é que tudo corre mal quando a sorte é a única coisa que nos pode valer. A arbitragem roçou o medíocre, a bola do último lance insistiu em não entrar e, mais uma vez, o Sporting Clube de Portugal contenta-se com o pouco que tem.

O jogo foi bem estudado. As mudanças táticas utilizadas em Braga foram mantidas e percebeu-se que as ordens de Keizer eram explícitas. A única forma de alcançar a vantagem era esperar pelo erro do adversário. Subir muito no campo era um risco, sabendo-se de antemão que o adversário era forte no contra-ataque, portanto a fórmula do sucesso assentava em deixar o Villareal ter posse, errar, e aproveitar o desaire. E eis que isso mesmo acontece. Perto do fim da primeira parte, Funes Mori falha o controlo de bola numa zona proibida e Bruno Fernandes não desperdiçou a oportunidade. Roubou a bola dos pés do argentino e correu até à baliza adversária, concretizando com mestria. Estava feito do golo que empatava da eliminatória e o timing não podia ser melhor. 

Tudo corria bem aos leões que, regressados com moral do balneário, entraram bem na segunda parte com um passe picado do suspeito do costume que, a ser aproveitado por Wendel, podia ter resultado no golo da vantagem. Contudo, dois minutos depois, surge a expulsão de Jefferson, decisão que veio matar por completo a estratégia leonina. À semelhança do que aconteceu em Alvalade com Acuña, o primeiro amarelo tinha surgido na sequência de protestos. Pavel Kralovec optou por mostrar novamente a cartolina amarela depois de Jefferson pisar o adversário, algo que não pareceu deliberado por parte do jogador do Sporting. Fica a sensação de que o brasileiro é mal expulso e, mais uma vez, o clube de Alvalade vê-se obrigado a jogar com menos uma unidade, precisamente no momento em que estava por cima da partida. Não que Jefferson estivesse a ter um papel preponderante na partida (muito pelo contrário, até), mas o Sporting ficou limitado nas suas opções defensivas. 

A partir daqui tudo descambou. Apesar do esforço defensivo atípico da era Keiser, o golo do Villareal surgiu aos 80 minutos, deitando por terra todas as hipóteses de chegar à próxima fase. O último lance da partida poderia eventualmente ter levado as decisões finais para o prolongamento mas, mais uma vez, Bas Dost falhou num momento crucial. As esperanças eram poucas, mas fica a sensação de que não foi inteiramente por culpa própria que o Sporting não alcançou os oitavos de final. 

Fica no ar a já conhecida sensação do "quase" e a esperança de que "para o ano seja melhor". A Europa ficou para trás, mas Portugal, nomeadamente a Taça, está na mira. O futebol menos mau ilude os adeptos à conquista do troféu, porém só a evolução dos acontecimentos poderá dizer algo sobre o futuro. Resta esperar (e não desesperar).



Beatriz Manaia 

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Não sabemos respeitar o amor à camisola




Os últimos tempos no Sporting não tem sido nada fáceis. Os últimos resultados tem sido tudo menos agradáveis, e as exibições de bradar aos céus. A qualidade do plantel é reduzida, mas não parece quando vemos o Sporting dispensar, sim, dispensar porque rescindir com jogadores da qualidade do Montero e do Nani, não pode ter outro nome.

O Fredy era o nosso único avançado que sabia tratar a bola por tu, o único que sabia pensar o futebol, e que tinha qualidade para marcar e para assistir. Posto isto, por um lado percebo a sua saída, já que não tinha espaço e não era opção; por outro, não consigo percebo o facto de ter saído a custo zero, de não ter rendido nem um cêntimo ao clube.  E quando eu já achava que as coisas não podiam piorar, pior fiquei quando percebi que o capitão de equipa também sai do mesmo modo.

Nani era uma das referências da equipa, tinha regressado no verão e era o jogador pelo qual os adeptos tinham mais estima. Regressou após todos os acontecimentos, pronto para assumir a braçadeira de um clube sem identidade e ferido de orgulho. Mas o “nosso dezassete” nunca teve medo de assumir o amor ao Sporting, nem a responsabilidade de regressar após o período mais negro da nossa história. Era um exemplo dentro e fora de campo, um ídolo para os adeptos e para todos os jovens da formação. Por isso foi com o coração partido que o vi sair.  Doeu-me imenso, porque sei que não foi por total vontade. Doeu-me porque não teve a despedida que merecia, e porque não o valorizámos o suficiente. Doeu-me porque fomos ingratos para um dos melhores jogadores que vi jogar pelo Sporting, doeu-me porque não o soubemos respeitar e valorizar. 

Não sei o que o futuro lhe reserva, mas espero que possa regressar uma quarta vez, quiçá para acabar a carreira no seu clube do coração. Que possa regressar e  perceber o quanto é adorado em Alvalade,  e quão tristes e revoltados ficámos por o ver partir.

Cristiana Ribeiro Pina



quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Bruno Fernandes, a versão Premium de um Sporting gratuito



Todos sabemos de que tratam as versões Premium. São upgrades de serviços gratuitos que oferecem melhores condições de utilização sob a cláusula de um pagamento monetário. O público aceita pagar pois as opções oferecidas facilitam o uso do produto e dão mais conforto ao utilizador. Neste momento, Bruno Fernandes é a versão melhorada de um Sporting bastante baratinho. 

Recuemos a setembro de 2018. O médio de 24 anos sabia o quão importante era fazer uma boa época. Depois do rompimento de relações com os adeptos, devido à rescisão de maio, era essencial mostrar o arrependimento de abandonar o clube numa fase crítica, em campo. A melhor forma de reconquistar o amor dos adeptos passava por ajudar a equipa a chegar o mais longe possível e realizar exibições de excelência. Menos que isto, iria resultar num mar de assobios e insultos gratuitos. E, como em tudo na sua vida, Bruno Fernandes conseguiu chegar a esse nível e, se tanto, elevá-lo a um patamar que poucos imaginavam. Podem contar-se pelos dedos aqueles que colocam a rescisão à frente do oásis que Fernandes representa no deserto do plantel leonino.

A sua qualidade é indiscutível. A 10 ou a 8, o jovem nortenho oferece uma disponibilidade física pouco comum aliada a um conhecimento do jogo essencial para fazer os seus pés mágicos funcionarem. Não é um jogador possante, mas poucos são os gigantes que lhe conseguem fazer frente. Dono de um remate potente, mete medo a qualquer defesa, seja de bola parada ou em jogo corrido. As lesões são poucas e a sua raça chega ao céu. Ver o Bruno jogar aquece o coração de qualquer adepto e rapidamente nos apercebemos que qualquer palco se torna pequeno na presença do "Maestro". 

Demasiados elogios? Vou dar-vos números, então. Bruno Fernandes soma, até à data, 20 golos marcados, mais dois do que na temporada transata inteira, e 10 assistências. Neste momento, está a três golos de ocupar o primeiro lugar do pódio dos médios mais goleadores da história do Sporting. Se conseguir ultrapassar essa marca, tirará o recorde a António Oliveira (22 golos, em 1981/82) e ainda a Balakov (21 golos, 1993/94) e Osvaldo Silva (21 golos, 1962/63). Para além de marcar presença na história dos leões, o médio leonino está no topo dos médios mais marcadores da Europa, à frente de nomes sonantes como Pablo Sanabria, Marco Reus e Paul Pogba. O que é verdade hoje, amanhã pode ser mentira, mas existem verdades incontornáveis. Bruno Fernandes está num patamar muito superior daquilo que é o futebol portuguê, neste momento. 

É assim, fundamental o papel que desempenha na equipa que, de momento, se encontra abaixo de forma. O cansaço afeta grande parte do plantel, mas Bruno continua a jogar como se do início da temporada se tratasse. Os golos vão caindo, o suor vai escorrendo e, sem mostrar dificuldades, vai carregando o resto da equipa ás suas costas. 

Vale a pena pagar mais pelos serviços de Bruno Fernandes. O resultados estão à vista de todos. Resta esperar que a versão gratuita se atualize o mais rápido possível. Há que acompanhar o Premium.


Beatriz Manaia 

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Para quem sentiu como eu senti



Ainda tenho um nó no estômago . Aquilo que aconteceu no domingo à tarde foi tão vergonhoso que eu ainda quero acreditar que a certa altura do dia vão acordar-me e dizer “Nana, isto foi só um pesadelo , já passou “.

Passou ? Uma merda é que passou ! Nunca me senti tão humilhada em minha própria casa como naquele dia .

Faz 72h hoje às 17:30h que o Sporting me envergonhou a mim e a todos aqueles que encheram o estádio pra ir ver o jogo . Eu vi Malta a sair dali aos 75’ que nunca tinha saído mais cedo de um jogo , eu vi miúdos pequenos a chorar por vossa causa , eu vi pessoal de mãos na cabeça que , tal como eu , não queriam acreditar no que estavam a ver ... foi tão mau , tão mau que vai ser muito difícil esquecer o que aconteceu .

É certo que , ao contrário daquilo que aconteceu com o Porto no Campeonato, entrámos sem medo . Mas assim que eles marcaram , encolhemos , trememos , cometemos erros defensivos que são de bradar aos céus e não conseguimos reagir . Na segunda parte , eu e o senhor que se senta ao meu lado que também tem Gamebox , quisemos acreditar que íamos dar a volta . Podia ser um 5-3 igual aquele que tivemos pra Taça contra eles aqui há uns anos , era o Paulo Bento o treinador, mas dois minutos depois o golo . Pronto ! Agora é que foi , pra se levantarem e pra não terem medo é preciso irmos buscar um guindaste! Nada. Zero . E assim que o Renan faz aquele penalti eu só pensei “pronto , vai ser uma vergonha .”

E foi , uma das minhas maiores vergonhas . Foi demasiado mau pra acreditar que era verdade e até posso dizer que sei que ter levado um golo que fez com que eles voltassem a ter 2 de vantagem sobre nós aos 47’ pode fazer com que o psicológico de um jogador mude de figura , é certo , mas porra!
Somos o Sporting , não somos uma equipa qualquer ! E estávamos a jogar em casa , depois de termos vencido a Taça da Liga, eles tinham mais era que jogar à bola !

Há uma semana atrás disse, no Sporting 160, que o Keizer tinha sido uma boa aposta apesar de tudo . Mas muito deste resultado é culpa dele , eu percebo que ele quis jogar com o bloco alto , mas uma equipa que joga com o bloco alto , quando tem de defender , tem de saber compensar , os alas têm de descer e os médios têm de tapar a entrada e as trocas de bola na grande área . Não vi nada disso . Nada . Zero .

Faltou existirem trocas muito mais cedo e só a partir dos 85 é que eu os vi com vontade de jogar à bola .

Eu olhava pro relvado e só via no Coates a raiva que aquilo lhe estava a dar . O Coates teve na cara o espelho de quem estava na bancada a assistir aquilo . E sim , tive Luiz Phellype e Dost , mas não era a 5m do fim e depois de estar a perder por 4-2 Keizer !!!

Hoje é dia de Taça de Portugal e tenho um recado importante a dar aos meninos que vão até à luz e vão subir ao relvado : joguem à bola ! Por amor de Deus joguem à bola !! E humilhem as criaturas que comemoraram em nossa casa no domingo . Joguem com amor à camisola , com honra e lembrem-se que , gostando ou odiando (sim porque no domingo foi ódio que nós tivemos ) o futebol que fazemos , nós estamos sempre lá . E se não querem ganhar por vocês , ao menos ganhem por nós , joguem com a garra de quem , mesmo chateado , mesmo triste e desanimado quer vencer , e não me venham com o “estou cansado “ . Cansados estamos nós ! Cansados estamos nós de encher o estádio quando vemos que os resultados não aparecem . Cansados estamos nós de não sermos campeões , cansados estamos nós de desculpas . Vão-nos dar motivos pra sorrir ? Ou é preciso pedir por favor ?


Mariana Cordeiro Ferreira 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Marcel Keizer do vislumbro ao descalabro



Como era de prever o derby entre o Sporting e o Benfica foi uma completa desilusão para todos os sportinguistas. O Benfica goleou por 4-2 em alvalade, mas se tivesse sido por 6 a 1 ninguém ficaria chocado. O Benfica foi melhor em tudo: na confiança, na vontade, na tática e na liderança. 

À entrada para este jogo. o Sporting partia em quarto lugar, a dez pontos do FC Porto e a cinco do Benfica. Como tal esperava-se que a equipa entrasse com vontade de mostrar uma cara melhor após o empate a meio da semana com o Vitória de Setúbal. Porém foi tudo ao contrário. Os jogadores entraram cansados, sem vontade e sem capacidade para construir o jogo ou ter ideias. Parecia uma equipa vazia, da qual só Bruno Fernandes, aquele a quem alguns chamam de traidor, demonstrava raiva e vontade em alterar o rumo do jogo. Tivéssemos nós 6 ou 7 Brunos Fernandes em campo e talvez as coisas fossem diferentes.  

Do 11 titular metade não tem capacidade para ser titular numa equipa grande. Renan, Bruno Gaspar, Jefferson, Gudelj todos jogadores de qualidade mediana e que em nada contribuem para fazer do Sporting uma equipa vencedora. É verdade podem dizer que não foi Keizer quem os contratou, concordo. Porém houve jogadores que fizeram exibições muito boas como foi o caso de Miguel Luís e Jovane, e que de repente deixaram de ser opção.  Dois jogadores jovens mas que podem acrescentar mais que Gudelj e Diaby. O que é pergunto é mister porque não os utiliza? São jovens é verdade mas viram o jogão que Félix? A qualidade não tem idade. Além, de que prefiro ver o Luís Maximiano a cometer erros, do que um Renan que não pode crescer muito mais. 

Onde está o Marcel Keizer dos primeiros jogos? Aquele que não tinha medo de arriscar, aquele que dava oportunidade a todos, aquele na qual se via um brilhozinho nos olhos dos jogadores assim que entravam em campo? Não creio que tenha desaparecido, acho que ainda está lá. Tímido,mas ainda o consigo ver. Mudou, talvez porque achava que que as suas ideias não se enquadravam no futebol português, mudou com medo que as coisas piorassem ainda mais. 

Por isso, e porque acredito que algures "naquela carequinha" há ideias de jogo positivas, e que os primeiros jogos não foram fogo de vista. Peço a Marcel Keizer que repense o seu jogo, que acredite nele. Porque acreditem que prefiro perder a jogar um futebol positivo como aconteceu em Guimarães, do que perder como ontem. Prefiro perder a acreditar em ideias, do que perder sem ver qualquer identidade. 

Mister mostre-nos que não estávamos errados quando acreditámos em si, mostre-nos aquela qualidade dos jogos iniciais. Não tenha medo de arriscar. 

Cristiana Ribeiro Pina 



segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Dost : do 8 ao 80



Falar de Bas Dost é falar de golos, é falar de um jogador com quem já nós tínhamos encontrado antes de ele fazer parte do plantel . É falar de alguém que chegou com o peso de substituir alguém que apaixonou miúdos e graúdos em Alvalade , que nos fez sonhar alto. Tão alto como aquelas pernas que ao início eram trapalhonas, falo claro , de Islam Slimani.


Não vou mentir e não vou dizer que o Dost me fez esquecer o Sli , não fez . São jogadores que têm várias coisas em comum : jogam na mesma posição , são óptimos de cabeça , são matadores quando a ocasião assim o exige e ambos sabem o que é ir do 80 ao 8 na boca dos adeptos em 90 minutos .


Vejo muita gente que diz que vender o Dost era o melhor , seria a solução para a equipa ganhar outra motivação , seria importante até , de acordo com quem o diz , para a equipa evoluir .


Vamos lá ter consciência sff . Bas Dost é neste momento o segundo melhor marcador da liga , tem 16 golos no total e se não fosse ele , aqueles hat tricks e os bis que fazem parte de alguns jogos este ano , o Sporting, muito provavelmente, estava para lá do meio da tabela classificativa. Só Nani e Bruno Fernandes é que quase se aproximam do número de golos , e ainda assim é uma diferença de 9 golos.

“Ahhh mas ele não marca aos grandes “
E então ? Não são 11 homens em campo ? Se não for o Dost a marcar que seja pouco qualquer, desde que os golos apareçam e me dêem os 3 pontos é isso que mais me interessa .

E depois vem o resto das desculpas :
“O Dost ganha um dos maiores ordenados do plantel “
É o melhor marcador .

“O Dost rescindiu com o Sporting “
Certo . Mas ainda assim está cá e faz o trabalho dele.

“O Dost está velho, temos de arranjar outro avançado “
Tem 29 anos. O Nani tem 32 e ainda é titular .

“O Dost tem de marcar aos grandes . Os gajos do Benfica e do Porto fazem isso “
O Jonas só marcou o primeiro golo a um grande em 2017. Foi ao Porto .

Antes de criticarem , de dizerem que o Dost tem de ser vendido porque não marca aos grandes pensem ! Pensem nas alegrias e nos golos que este homem já nos deu, e se continuarem com a mesma opinião , façam-me um favor : quando ele marcar , não comemorem .


Mariana Cordeiro Ferreira